quinta-feira, 20 de março de 2014

Vai acontecer na Copa!

Antonio Nunes de Souza*

Conhecendo bem o comportamento do brasileiro de classe média baixa e baixa, tive a ousadia de fazer uma premonição que, com certeza absoluta, acontecerá muito na chegada dos turistas visitantes e durante suas estadias!
Início de junho, o país no maior reboliço para terminar as obras ou deixá-las em condições de uso, as expectativas são imensas do povo em geral e, logicamente e mais veemente, dos maus brasileiros “urubus verde amarelos, que estão torcendo para dar tudo errado. Não sei por que tanta mesquinhez numas mentes sem brasilidades.
Aeroporto internacional do Rio de Janeiro, 10 da manhã e estamos esperando uma das primeiras levas de fanáticos do esporte, vindo num avião “fechado” somente para esses assistentes pebolísticos. Apareceram na porta do desembarque, dezenas de placas com nomes para acolherem para os seus hotéis e, aos poucos foram dispersando até sumirem todos do saguão de recepção. Mas, pela confusão e também por alguma falha casual, nada anormal entre nossos patrícios, a família do Mr. John Robson ficou sozinha sem que ninguém tomasse conhecimento da sua chegada. Preocupado, como é normal, começou a reclamar do abandono. E foi aí que Zezinho do Tamborim, carregador de malas há dezenas de ano no aeroporto, entrou no assunto para apaziguar e contornar o problema. Com seu inglês nada convencional, aprendido nas suas lides diárias, falou para o americano: Take yease brother! I go quebrar you galheixo! O gringo, desconfiado, mas vendo-se abandonado num país que ele desconhecia completamente, achou por bem se acalmar e esperar o que aconteceria.
Zezinho bastante prestativo, carregou as malas, chamou um taxi e um amigo de sua comunidade e disse: Esse gringo e família são meus amigos (para o brasileiro, deu um bom dia já é amigo velho), deram um vale abandono e uma bolsa relento para meus amigos e eu vou aliviar a situação não deixando minha turma no sereno (já considerando da turma dele!!!). Falou Negão, vou levá-los entregar a minha comadre Tereza e sei que ela vai arrumar tudo numa boa.
Tereza acomodou o casal em sua casa e, na vizinha, colocou os dois filhos. Casas modestas, mas, tudo limpinho e organizado. Os gringos sem entenderem porra nenhuma estavam imaginando que era um novo tipo de acolhida e hospedagem estranha aos seus conhecimentos. Assim que Zezinho chegou às 20 horas, todos já jantados e ele, animado como era, levaram logo a família para um churrasco numa laje, onde o coro estava comendo forte no pagode. Como samba é samba e o rebolado das meninas morenas, pretas, mulatas e brancas eram tentadores, os americanos entraram na roda, meio desengonçados e começaram a dançar. Cervejas e tira gostos corriam soltos. Zezinho apresentando: Esse é Rodinho, meu amigo (Mr. Robsom já era Robinho  como se fosse amigo de infância de Zezinho.) Todos se abraçavam, brincaram e tentavam por meio de gesticulações conversar com os estrangeiros, procurando deixá-los bem a vontade e confiantes naquela acolhida inesperada.  Foram dormir e dia seguinte, folga de Zezinho, ele tomou uma Kombi emprestada do seu sobrinho e saiu com Tereza e toda família de Robinho para conhecer o Rio de Janeiro. Passearam por todos os lugares possíveis, indo até o pão de açúcar, Cristo Redentor, bondinho, favelas policiadas, praias, etc. Chegaram a noite cansados, mas, a gringalhada super feliz, somente diziam: Wondefull, Fastastic!
No dia do primeiro jogo “Robinho” fez questão de comprar, mesmo no câmbio negro, ingressos para Zezinho e Tereza, pois estava agradecido pela acolhida e Zezinho já havia dito que não custaria absolutamente nada, pois ele não iria cobrar hospedagem de amigos íntimos (já se sentia íntimo, coisa de brasileiro). Se divertiram muito, torceram e o Brasil ganhou de 4X1 na sua estréia!Daí pra frente, eram saídas e festas na comunidade, os Robsom super alegres e se entrosaram com os moradores, batizou até um garotinho da vizinhança, completamente embevecido com o comportamento amigo e solidário de um povo. Terminada a copa, Brasil campeão, e lá vai Zezinho e alguns amigos levar a família Robsom para o aeroporto. Parece incrível, mas houve muito choro de ambas as partes, Faixas: Robinho, I Love YOU and familly!!!
Quando os Robsons chegaram, seus amigos perguntaram: Que tal a viagem e o Brasil? Ele disse: Vou tentar responder em português: Uma país maravilhosa, não existir pessoas mais boas no mundo. Breve eu voltar!!!


*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com

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