quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Carnaval de Maria Rita!

Antonio Nunes de Souza*

Maria Rita, tratada carinhosamente de Ritinha, é uma mulher super avançada nas suas idéias e atitudes que, os mais vanguardistas do mundo, certamente, nunca conceberam tais procedimentos comportamentais. Dentista por formação, com diversas graduações, 35 anos, bonita, charmosa, sedutora, educada, simpática e uma excelente companhia. Ainda mais que é completamente independente, tem uma receita invejável no seu consultório, um apartamento de quatro quartos e duas suítes, enfim, uma pessoa completamente realizada!
Ritinha, depois de uma desilusão amoroso aos 19 anos, prometeu a si mesma que não casaria e que com muita dedicação, constituiria sua linda e maravilhosa família. Então, previdente como era, e louca por carnaval, programou que a cada ano que viesse passar na Bahia, levaria como lembrança uma produção independente, logicamente escolhendo com cuidado o mentor para tal tarefa, com beleza e inteligência bem aquinhoadas. Posso adiantar que, sendo esse o quarto carnaval em Salvador (ela é paulista), já tinha em seu apartamento três lindas crianças, adquiridos honrosamente nos carnavais passados. Um lourinho lindo, com os olhos azuis filho de um americano da Califórnia chamado Ted, outro moreno com olhos e cabelos pretos, queixo proeminente, muito bonito, filho de Andreas um grego que, segundo ela, fez com que tremesse bastante na cama com suas transas ouvindo a música Zorba. E o terceiro um mimo de criança, branquinho e feições super delicadas, olhos também azulados, produção do francês chamado Jean. Na verdade uma escadinha linda e preciosa, que constituía a grande fortuna de Ritinha, pois, para tratá-los com todas as atenções, tinha no apartamento uma babá qualificada e uma psicóloga especializada em boas maneiras. Para ela e seus filhos, nenhuma despesa era demais!
Agora que estamos em 2014, Ritinha está vindo para os festejos, já reservou o Hotel Quatro Rodas, comprou o Abadá do Chicletes (jamais deixaria de ver a despedida de Béu), além da fantasia do Bloco Eva que sempre foi seu favorito e, curiosamente, local onde conquistou duas das paternidades. Desta feita veio com a idéia fixa de levar em seu bojo uma criancinha asiática, para fechar o ciclo dos seus desejos e ver uns irmãos mesclados e felizes sem que houvesse discriminação de raças!
Logo no primeiro dia do festival de verão, prévia máxima do carnaval da Bahia, ela procurou, vasculhou até que achou um japonês bonito, com as características bem acentuadas, olhos rasgados, cabelos negros e lisos, altura mediana, forte e, embora meio sem jeito, ainda sabia sambar um pouco. Com sua beleza nada era mais fácil que conseguir uma companhia masculina. Então, foi se chegando e, minutos depois já estava abraçada com Chang como se conhecessem há muito tempo. Curiosamente estavam no mesmo hotel, facilitando assim os encontros e a convivência que ela precisava para sua “operação baby”. Tudo estava uma maravilha até a hora que foram para cama e ela pode perceber o tamanho ínfimo do pinto de Chang. O desgraçado, além de pequeno, não se firmava dentro de jeito nenhum, pois toda vez que faziam o movimento de vai e vem, o miserável escapulia, mesmo ela contraindo ao máximo a vagina. Uma trabalheira danada, mas, terminava ele gozando fora! Então ela pensou: Bem, até o carnaval imagino que esse sacana desse japonês de umas duas ou três dentro para garantir a minha viagem e eu encerrar e completar minha linda e exótica família.
Ritinha continuou namorando com Chang, curtido as noites e dias em Salvador, até que terminou o carnaval e ela retornou para Sampa, acreditando estar levando em seu útero seu último filho, com os olhos amendoados iguais ao pai.
Mas, com uma semana que estava em casa, sentiu umas contrações já suas conhecidas e, infelizmente, chegou a menstruação. Aí, cheia de ódio e raiva, apenas disse: Ah! Japonesinho filho da puta!!!
Depois dessa outra decepção na vida, resolveu conservar seus três filhos numa boa, convencida que era uma super realizada e vencedora nos seus projetos que, não foram completos, graças a uma pequena rola japonesa!!!

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com


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